
Em Coimbra, na altura, havia uma companhia de teatro universitário, dirigida por Paulo Quintela, que estava vocacionada, sobretudo, para o teatro mais clássico: o TEUC – Teatro Experimental da Universidade de Coimbra. Com um trabalho notável, deixava, ainda assim, espaço para outras iniciativas. E é assim que, no dia 26 de Fevereiro nasce o CITAC, onde podiam ingressar todos os estudantes universitários ou não.
Na altura, existiam o Teatro-Estudo do Salitre (Gino Saviotti dir.), a Casa da Comédia (Fernando Amado dir.), os Companheiros do Páteo das Comédias (António Pedro – lembram-se? – Jorge de Sena e Costa Ferreira) e, a partir de 1953, o TEP – Teatro Experimental do Porto, dirigido por António Pedro. Nas palavras de Rui Vilar, “é um período rico entre a tradição naturalista, o realismo carregado de preocupações sociais e as tentativas de trazer ao teatro a problemática existencial. É também o tempo de desmontagem e de recriação dos mecanismos da convenção teatral até ao extremo, com o teatro vocabular de Ionesco, que ‘não é bem psicológico, nem simbolista, nem surrealista, nem social’.
É neste caldo de cultura em que se misturam a vontade de ser diferente, a busca de alternativas, a ânsia de modernidade e a rebeldia contra o establishment que surge o CITAC.”
No início, não existe director: o grupo de estudantes fundadores pede ajuda a Vasco Lima Couto. Nesse primeiro ano de vida fazem espectáculos: Nau Catrineta, Egipto Gonçalves, com encenação de Vasco Lima Couto, que também encenou Encontro de Alexandre Babo e O Doido e a Morte, de Raul Brandão, encenado por Mário Temido.
No ano seguinte é a vez do poema dramático de Torga, Mar, ser encenado pelo encenador de que queriam “fugir”, Paulo Quintela.

Pelo CITAC passaram encenadores tão variados como António Pedro (ainda e sempre), Luís de Lima, Jacinto Ramos, Carlos Avilez, Vitor Garcia, Ricardo Salvat, Mário Barradas entre muitos outros.
De dois em dois anos, o CITAC – que tem um curso de formação de actores – abre as portas a vinte novos elementos, num processo contínuo de renovação e continuidade.
Enfim… o CITAC cresceu, evoluiu, cresceu… e fez 50 anos em 2006. Quem diria, ein?
Deixo-vos com as palavras de um dos elementos, Ana Fernandes: “Não desconfiava da natureza insubordinada do grupo até ver a excentricidade e a desarrumação que caracterizava a Sala de Direcção – muitos cartazes e fotos, rabiscos e dizeres vários nas paredes – ainda lá está uma foice e um martelo a vermelho – revistas e latas de Coca-Cola pelo chão e dois computadores sempre a funcionar a meio-gás. No Teatro-Estúdio (o espaço mais polivalente do mundo) as extravagâncias e os desvarios citaquinos confirmaram-se e acho que

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