quinta-feira, 13 de março de 2008

Uma dinastia teatral...

Henrique Júlio Martins Santana, conhecido apenas como Henrique Santana, nasceu a 7 de Maio de 1924, em Lisboa.
Filho dos actores Vasco Santana e Arminda Martins, Henrique seguiria também mais tarde, a vocação dos pais.
Estudou sempre em Lisboa, e concluiu os seus estudos no Liceu Passos Manuel.
Casou com 22 anos mas rapidamente se separou. Desta união nasceu uma filha, Maria Vasco.
Ao longo da carreira teatral, esteve sempre muito ligado ao teatro de revista, mas não só. Foi actor, autor, encenador, e director de companhias.
Com apenas 24 anos, em 1948, fez parte dos elencos de O Melhor do Mundo, Luta Livre (o campião), e Do Céu Caiu Uma Velha, estes dois últimos para a Empresa Piero Benardon.
Mais tarde (não é possível dar uma data concreta), criou com o pai a Companhia de Comédias Vasco Santana, da qual era director. Com esta companhia, fez dois espectáculos, O Conde Barão em 1953, e O Caso Barton em 1954, onde além de actor, desempenhou também as funções de director de espectáculo e director de montagem.
Por esta altura, apaixona-se pela também actriz Maria Helena Matos, filha da grande Maria Matos, com quem vive em união de facto até ao fim da vida.
Em 1958, é levada à cena uma peça da sua autoria Um Fantasma Chamado Isabel, que foi também encenada por ele.
No ano de 1961, com a Companhia Teatro Alegre, faz a dramaturgia e integra o elenco da peça Três em Lua de Mel, da qual é autor juntamente com Francisco Ribeiro, sob o pseudónimo de Jorge Sousa. Este espectáculo fez um enorme sucesso, tendo inclusivamente sido gravado para televisão, anos mais tarde.
Entre 1973 e 1978, participou em vários espectáculos de revista, dos quais foi também autor.
Em 1982, representou e encenou a peça da sua autoria Sem Rei nem Roque.
A partir de 1985 e até 1992, Henrique Santana dedicou-se a encenar as peças Não Batam Mais no Zézinho, Vitória, Vitória (no Parque Mayer, com Marina Mota, Carlos Cunha, Rosa do Canto e Fernando Mendes), Vamos a Votos e Quem tem ECU tem Medo.
Em 1993, escreveu um livro dedicado ao seu pai Vasco Santana, chamado A Gaveta dos Manguitos. Era um livro que pretendia criticar a brincar, e contar algumas das histórias da sua vida.
O título do livro baseia-se na história contada por seu pai, que dizia que tinha sempre no seu camarim, uma gaveta vazia. Impreterivelmente vazia. Porquê? Porque de vez em quando abria a gaveta e fazia uns manguitos [1] lá para dentro. Quando alguém de que não gostava ou não lhe apetecia ouvir entrava pelo camarim, Vasco abria a gaveta e imaginava manguitos a sair dali para fora direitinhos às pessoas.
Esta história inspirou sempre Henrique que tinha no pai um grande exemplo e admiração.
Conta-me o meu avô, seu primo direito, que ele e Henrique eram como irmãos. Cresceram juntos e criaram os mesmos ódios de estimação, como por exemplo a praia.
“O Henrique ficava doido só de pensar que tinha de pisar areia. Quando a mulher, Maria Helena Matos decidiu comprar uma casa à beira da praia, ele fazia de propósito para a irritar. De manhã, deixava-a levantar-se e ficava na cama. Quando ela descia para a praia, ele vinha à varanda e mal ela punha o pé na areia, ele gritava lá de cima “Lena anda tomar o pequeno-almoço que te preparei com muito amor”. E lá voltava ela para cima para o pé dele. Era um homem com grande sentido de humor e muito carinhoso”, conta o meu avô.
Eu própria tenho grandes recordações do Henrique Santana, meu primo-avô. Uma vez, quando de uma visita à sua casa de São Bento, levou-me para o seu escritório, aproximou-se da secretária onde estava a sua nova impressora, e para me mostrar como ela funcionava, escreveu no computador: “Eu tenho um primo chamado Henrique Santana, que quando chama por mim, chama-me linda Joana.”
E todo orgulhoso imprimiu e ofereceu-me. Ele era um exemplo para mim.
Morreu no dia 1 de Julho de 1995, em Lisboa.


[1] Manguito: Gesto ofensivo que implica dobrar um braço sobre o outro e que significa negação.



Da nossa correspondente Lady Stardust, a quem a Bruxa muito agradece.

3 comentários:

Maria disse...

Boa tarde
Estou a preparar a edição de um livro dedicado ao Teatro em Portugal e gostaria de obter autorização para publicar uma fotografia de Vasco Santana, obtida através da Biblioteca de Arte da Gulbenkian.
Poderia ajudar-me, por favor, a encontrar um familiar do actor a fim de poder pedir a respectiva autorização?
Vera Macedo
veramacedo@campus.ul.pt

Maria disse...

Boa tarde
Estou a preparar a edição de um livro dedicado ao Teatro em Portugal e gostaria de publicar uma fotografia de Vasco Santana, mas queria obter autorização da família. Poderia, por favor, ajudar-me a encontrar o representante da família do actor?
Agradeço a sua disponibilidade para este assunto.
Vera Macedo
veramacedo@campus.ul.pt

A Bruxa das PAPs disse...

Vera, recebi a sua mensagem que, por qualquer razão,não consigo publicar. Eu não sei, mas vou ver se falo com umas pessoas para a ajudar, está bem? Bom trabalho!