
Na iconografia demoníaca, o diabo é representado com cabeça de bode, ornado de cornos, os pés bifurcados, corpo peludo, cauda ou asas de morcego e vestido de vermelho. Daí que, em muitas regiões, se considere o bode um animal maldito. Na mitologia grega era associado aos sátiros e aos faunos que também tinham pés bifurcados. Além da representação diabólica, os cristãos primitivos viam o bode como símbolo da luxúria e da deprevação. Um diabo com aspecto de bode presidia ao
sabat das bruxas. Na religião hebraica, no dia da expiação, sacrificava-se um bode sobre o qual o sacrifidor punha as mãos transmitindo-lhe todos os pecados de Israel. Depois, o animal era levado para o deserto para aí morrer, liberatndo os judeus. Daía a expressão "bode expiatório", que designa uma pessoa que se considera responsável por todos os males e sobre a qual, com ou sem motivo, recaem todas as culpas. Também no
Levítico, do Antigo Testamento, se narra a história de Aarão, irmão de Moisés, que sacrifica dois bodes, um a Jeová, outro ao demónio Azazel.
Orlando Neves,
Dicionário das Superstições, 2005
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