quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O Diabo está em todas!

Vin du Diable (Devil’s Wine), Cortaillod Em 1806, o vencedor de Austerlitz¸ General Oudinot, foi visitar o Coronel Vouga a Cortaillod, na Suiça. Após ter apreciado uns quantos copos a mais do famoso vinho tinto “Côtes du Rhone”, caiu do cavalo e gritou: “O seu vinho, Coronel, é do diabo!”
Daí nasceu o nome que hoje o vinho tem.
Trata-se de um Pinot Noir da área do Lago Neuchâtel. Estadia durante 9 meses em pequenos barris de carvalho.
Bouquet: frutado, complexo, com um suave toque de baunilha.
Palato: rico, frutos vermelhos maduro, taninos suaves.
Acompanha: carne vermelha não-marinada e queijo.
2002 vintage classificado com ****/93pts no número de Maio 2005 da revista Beverage Dynamics
Oram digam lá que não tem um bom aspecto para acompanhar uma boa refeição? (Como a Bruxa acha que não se vende em Portugal, pode falar nele sem correr o risco de influenciar seja quem for. Fica a curiosidade...)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Este foi roubado...



...ao blog AstroPT.

Esta quinta-feira, dia 21 de Fevereiro, de madrugada haverá lugar a um eclipse lunar. De notar que irá decorrer na passagem de Quarta-feira para Quinta-feira… O eclipse terá início às 0 h 34 min UT, que corresponde precisamente à hora local portuguesa (hora de Inverno), e atingirá o máximo às 3 h 26 min, começando a fase de totalidade às 3 h e terminando às 3 h 51 min. A totalidade refere-se à altura em que todo o disco lunar é coberto pela umbra da Terra. O que torna aliciante a observação do fenómeno é que não é necessário qualquer instrumento de amplificação, seja binóculo ou telescópio. Pode apreciar o fenómeno com um dos melhores instrumentos da Natureza: o olho.



Têm aqui o esquema para verem um pouco melhor:
(Não têm porque estava errado...)


Aproveitem que o espectáculo é de graça e hoje quase não há nuvens no céu de Cascais.

Ginástica mental


Em dia de maior cansaço, aqui vos deixo um passatempo em que o Diabo é rei e senhor...

E aproveito para mais um desafio do Grandioso Concurso:

Quando estamos fartos de uma pessoa que nos irrita e nos queremos ver livres dela, dizemos...???

Há que aproveitar a ocasião para informar que o número de respostas ao primeiro desafio foi significativo. Se bem que nem todas estivessem certas. Por favor, antes de responder a esta, vão reler o Regulamento.

Vá lá... atirem-se para o papel e mandem-me as vossas sugestões...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A Bruxa e a arte



Estão a ver? A Bruxa também tem um retrato pintado pelo artista Andy Warhol... Eheheheheh

E vem isto a propósito do desejo da Bruxa de dar aqui os parabéns aos mentores da iniciativa que pregou com os aprendizes TODOS no CCB. Valeu a pena, ein? Foi muito giro.

E, como disse a alguns de vocês: dêem graças aos céus porque viram coisas de teatro que NUNCA mais vão voltar a ver.

Viagens do diabo em Portugal 1

Uma légua ao norte de Guimarães há uma ponte por baixo da qual passa o rio Ave, denominada Ponte de São João. Quando alguém daqueles sítios está doente e descrê dos socorros da medicina, vai ao meio da ponte, à meia-noite em ponto, acompanhado por um padre, com meio alqueire ou um alqueire de milho alvo ou painço; o padre lê-lhe os exorcismos e o doente atira o milho da ponte abaixo, seguido de três punhados de sal; e o Diabo, a quem o padre impõe a obrigação de largar a criatura, lá fica entretido a contar os grãos de milho, até à consumação dos séculos.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

"Perguntas à Língua Portuguesa", Mia Couto

Venho brincar aqui no Português, a língua. Não aquela que outros embandeiram. Mas a língua nossa, essa que dá gosto a gente namorar e que nos faz a nós, moçambicanos, ficarmos mais Moçambique. Que outros pretendam cavalgar o assunto para fins de cadeira e poleiro pouco me acarreta.

A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia. O que me apronta é o simples gosto da palavra, o mesmo que a asa sente aquando o voo. Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida. E quantas são? Se a Vida tem é idimensões?
Assim, embarco nesse gozo de ver como escrita e o mundo mutuamente se desobedecem. Meu anjo-da-guarda, felizmente, nunca me guardou.
Uns nos acalentam: que nós estamos a sustentar maiores territórios da lusofonia. Nós estamos simplesmente ocupados a sermos. Outros nos acusam: nós estamos a desgastar a língua. Nos falta domínio, carecemos de técnica. Ora qual é a nossa elegância? Nenhuma, excepto a de irmos ajeitando o pé a um novo chão. Ou estaremos convidando o chão ao molde do pé? Questões que dariam para muita conferência, papelosas comunicações. Mas nós, aqui na mais meridional esquina do Sul, estamos exercendo é a ciência de sobreviver. Nós estamos deitando molho sobre pouca farinha a ver se o milagre dos pães se repete na periferia do mundo, neste sulbúrbio.´
No enquanto, defendemos o direito de não saber, o gosto de saborear ignorâncias. Entretanto, vamos criando uma língua apta para o futuro, veloz como a palmeira, que dança todas as brisas sem deslocar seu chão. Língua artesanal, plástica, fugidia a gramáticas.

Esta obra de reinvenção não é operação exclusiva dos escritores e linguistas. Recriamos a língua na medida em que somos capazes de produzir um pensamento novo, um pensamento nosso. O idioma, afinal, o que é senão o ovo das galinhas de ouro?
Estamos, sim, amando o indomesticável, aderindo ao invisível, procurando os outros tempos deste tempo. Precisamos, sim, de senso incomum. Pois, das leis da língua, alguém sabe as certezas delas?
Ponho as minhas irreticências. Veja-se, num sumário exemplo, perguntas que se podem colocar à língua:
Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?
No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?
A diferença entre um ás no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?
O mato desconhecido é que é o anonimato?
O pequeno viaduto é um abreviaduto?
Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente.
Quem vive numa encruzilhada é um encruzilhéu?
Se diz do brado de bicho que não dispõe de vértebras: o invertebrado?
Tristeza do boi vem de ele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é uma reencornação?
O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?
Onde se esgotou a água se deve dizer: "aquabou"?
Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?
Mulher desdentada pode usar fio dental?
A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?
As reservas de dinheiro são sempre finas. Será daí que vem o nome: "finanças"?
Um tufão pequeno: um tufinho?
O cavalo duplamente linchado é aquele que relincha?
Em águas doces alguém se pode salpicar?
Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?
Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?
Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?
Brincadeiras, brincriações. E é coisa que não se termina. Lembro a camponesa da Zambézia. Eu falo português corta-mato, dizia. Sim, isso que ela fazia é, afinal, trabalho de todos nós. Colocámos essoutro português – o nosso português – na travessia dos matos, fizemos com que ele se descalçasse pelos atalhos da savana.Nesse caminho lhe fomos somando colorações. Devolvemos cores que dela haviam sido desbotadas – o racionalismo trabalha que nem lixívia. Urge ainda adicionar-lhe músicas e enfeites, somar-lhe o volume da superstição e a graça da dança. É urgente recuperar brilhos antigos.
Devolver a estrela ao planeta dormente.


Em dia de descanso, aqui fica uma contribuição do nosso corresponente no Algarve, a quem muito agradecemos esta reflexão/brincadeira sobre a língua que todos usamos. Usamos?

sábado, 16 de fevereiro de 2008

16 de Fevereiro...

...de 1968 foi o dia mais feliz da minha vida, disse o actor, anos mais tarde. Nessa data, no TEC, estreara-se na peça de Gervásio Lobato, O Comissário de Polícia, encenada por Carlos Avilez, com cenário e figurinos do genial cenógrafo Pinto de Campos (engraçadíssimo na má-língua) e que tinha Mirita Casimiro – com quem aprendi tudo sobre o riso - como protagonista. Lia Gama foi a 'madrinha', Mário Pereira o 'padrinho'. Sabem quem foi? Infelizmente já não podem vê-lo: morreu demasiado cedo, em 1 de Abril de 1996, depois de ter trabalhado diariamente durante 30 anos no Teatro, Cinema, Disco, Rádio e Televisão.



Não foi mentira, foi a sério. Com sério foi o seu papel no teatro português durante esses 30 anos. Diseur como poucos, entendia a poesia na sua essência e o cuidado que tinha com a língua portuguesa valer-lhe-ia – que outras coisas não houvesse! – um lugar ímpar. Actor multifacetado, criou uma miríade de personagens sempre diferentes, sempre tocantes. Do riso às lágrimas, da ternura à provocação, tocou toda a escala de emoções e sentimentos sempre com força, sempre certeiro.



Profundamente envolvido na sociedade em que viveu, em 16 de Novembro de 1995 anuncia a sua intenção de se candidatar à Presidência da República e durante algum tempo faz campanha a partir do palco: Ao contracenar com Marcelo Mastroiani descobri que não conseguiria ser o Maior Actor de Portugal, da Europa e do Mundo, de Teatro e Cinema; o mais popular Cómico do país e com maior unanimidade; ter um lugar em Hollywood; [...] representar em francês, espanhol, inglês ou japonês. Desiludido e revoltado decidi encetar carreira mais fácil, menos efémera e com reforma assegurada: Presidente da República de Portugal, Açores, Madeira, Macau e Timor-Leste.
Em 1990, com Juvenal Garcês e Eduardo Firmo, funda a Companhia Teatral do Chiado a propósito da qual afirma: Defendo o vedetismo. Nunca gostei de elencos por ordem alfabética, por ordem de entrada em cena. A Maria Cachucha não é a mesma coisa que a Palmira Bastos, o Zé da Esquina não é o Alves da Cunha. O público vai ao teatro para ver actores, por isso eles têm de ser valorizados.


Deixou-nos momentos inesquecíveis nas várias formas de expressão que escolheu utilizar. A Bruxa recorda um espantoso Godot (com o Santos Manuel, que vocês bem conhecem!) de que disse: Beckett salvou-me a vida!! [...] Sempre estivemos, estamos e estaremos à espera de Godot. Foi essa a opção da minha encenação: pôr todos à espera de Godot...
De cultura vastíssima e humor corrosivo, deixou-nos discos, filmes, programas de televisão para que, nós os que o conhecemos possamos mostrar-vos um pálido reflexo do que foi Mário Viegas.
NOTA: para saberem mais leiam: Um Rapaz Chamado Mário Viegas, Museu Nacional do Teatro, 2001