terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

12 de Fevereiro...

... de 1887 estreia em Milão, no Teatro Scala, a ópera Otello (sim, escrito assim) com música de Giuseppe Verdi e libretto de Arrigo Boito. A estreia, onde estavam a nobreza e "a primeira sociedade" de Itália, Londres, Paris, Viena e S. Petersburgo e os críticos mais notáveis da Europa" (!!!), foi um sucesso. (Sousa Bastos)


No dia seguinte, o jornal parisiense Le Figaro publicou uma crítica de 3.000 palavras, de Auguste Vitu, o crítico que fora expressamente a Milão para a estreia. Outros tempos, ein, gente? O mesmo aconteceu com o New York Herald.
A estreia de Otello com o tenor Tamagno (1850-1905) no protagonista, foi um dos grandes sucessos da vida de Verdi.











A ópera entrou rapidamente nos reportórios de cantores e teatros e o papel foi cantado por todos os grandes tenores: Mario del Monaco, Placido Domingo (a Bruxa ouviu-o em Lisboa, no S. Carlos), Jon Vickers, Josè Cura e John Forbes, só para citar alguns. Caruso preparou o papel, que não chegou a estrear por receio do confronto com o desempenho de Monaco que, na altura, dominava absolutamente a personagem...

A história é um resumo da de Shakespeare, sem grandes alterações de substância: vocês conhecem-na bem. Ou ficarão a conhecer..

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Dia 11 de Fevereiro...

... de 1888 inaugurou-se em Lisboa o Teatro Avenida.
"Era sábado de Carnaval e os espíritos, dipostos à chalaça e ao charivari, tornaram a récita uma verdadeira carnavalada, a despeito dos artistas que tomavam parte no espectáculo.
Abriu a récita com a conhecida comédia em 1 acto, O Tio Torquato, que foi salva pelo grande Taborda. Seguiu-se depois uma nova comédia em 3 actos, De Herodes para Pilatos, à qual nem puderam acudir o notável talento de António Pedro e a correcção de outro artista distinto, Pinto de Campos.
O teatro fora construído num terreno pertencente à esposa de João Salgado Dias. Este cavalheiro, e os srs. Alexandre Mó e Silva e Ernesto Desforges, tendo emitido certo capital em acções do valor de 10$000 [dez mil réis, muito dinheiro para a época…], levantaram a crédito outras quantias e levaram a cabo a obra. Mais tarde o teatro foi hipotecado e, a requerimento dos credores, vendido em hasta pública. […]
Os accionistas e demais credores perderam o seu dinheiro."

Assim conta Sousa Bastos a história do início do Avenida. O teatro não tinha grandes pretensões e desde logo é descrito por João Paulo Freire como um “teatro acanhado, sem segurança para o público em caso de incêndio, embora lhe tornassem obrigatória uma saída pelo portão lateral. Entalado entre prédios de diminutas dimensões, o corredor que serve o bufete e os urinóis é de tal forma acanhado que, em noites de enchente, quase se não dá um passo. Exteriormente não tem recomendação possível. Internamente, à parte os defeitos já apontados, é simples e gracioso.”
Nunca foi um teatro de continuado sucesso: situado em plena Avenida da Liberdade, Sousa Bastos diz que o público não aparecia porque o teatro “estava muito longe do centro de movimento da cidade. Na época de Inverno, a mais propícia dos teatros, o espectador precisa coragem para atravessar a Avenida, quase sempre de um desabrimento atroz, para chegar àquele teatro.” Ou seja, era o vento e o frio que, nas palavras do empresário, afastavam as pessoas dali. Hoje em dia, também será perigoso atravessar a Avenida da Liberdade. Mas por outras razões…
Enfim, as companhias sucederam-se – portugueses, espanholas, francesas – os empresários também, mas o Avenida lá foi andando: nunca com excessivo sucesso, mas foi o suficiente para se ir mantendo a trabalhar e muita gente passou por aquele palco, empenhada em muitos e variados espectáculos. Em 1964 cumpriu a sua derradeira missão ao receber a companhia Rey Colaço – Robles Monteiro, desalojada do Teatro Nacional pelo violento incêndio do dia 1 de Dezembro.
No dia 13 de Dezembro de 1967, o Teatro Avenida ardeu também, não tendo sido reconstruído.

Manifs & Alfarrabices...



A Bruxa informa que, hoje de manhã depois da sua participação na manifestação à porta do Conservatório, em defesa do ensino da música em Portugal, entrou num alfarrabista onde comprou a PRIMEIRA EDIÇÃO da peça que vos atormentará a vida e, mais do que isso, ASSINADA PELO AUTOR. Querem melhor? Eu, depois, deixo ver... Eheheheheheh!!!!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Mem-Martins, terra de teatro!

A redacção informa que acabou de receber a primeira contribuição substantiva para a rubrica "Cartografia Teatral", muito justamente re-apelidada de "Mapas Artísticos". O nosso correspondente de Mem-Martins, o artista da pop'arte americana, enviou-nos o seguinte mapa:

A Bruxa não tem (quase) nada a acrescentar. O quase é que a argola que devia estar em cima do actor José de Castro, está em cima do escultor/arquitecto Leopoldo de Almeida. Fica feita a ressalva.
O próximo passo será identificarem as pessoas aqui referidas. Algumas delas foram já atribuídas a vários de vocês, com vista à elaboração de novos posts para este espaço. As que faltam serão distribuídas oportunamente. Há que saber quem evocamos quando lemos um nome numa placa...
A Bruxa agradece penhoradamente ao artista da pop'arte americana e espera que o exemplo do jovem frutifique e este espaço receba muitas e boas contribuições para uma cartografia do teatro em Portugal.

10 de Fevereiro...

... de 1673Estreia em Paris, no Palais Royal, a peça Le Malade Imaginaire, de Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido por Molière. A peça teve apenas quatro representações porque, durante o espectáculo do dia 17 do mesmo mês, o autor e protagonista sentiu-se mal, desmaiou e morreu pouco tempo depois.

A peça, em três actos, incluía momentos de dança e música, sendo esta de autoria de Charpentier.

Aqui vai então o resumo, cortesia da Wikipedia:

A peça conta a história de um velho hipocondríaco (vão ver ao dicionário!), Argan, que se julga doente sem de facto o estar, e que, por isso, acata toda e qualquer ordem do médico que, por sua vez, se aproveita da situação.
Argan quer que sua filha Angélique se case com o filho de um médico para que ele receba tratamento médico como favor de seu genro, ainda que ela estivesse apaixonada por Cléante.
Junto com a empregada de Argan, Toinette, seu irmão Bérald tenta "curar" Argan de sua fixação em médicos. Juntos, convencem-no a fingir-se morto para descobrir quem é realmente leal e gosta dele. Assim, torna-se patente que a segunda esposa de Argan está apenas atrás do seu dinheiro, enquanto que sua filha realmente o ama. Após a "ressureição" do supostamente morto Argan, Angélique está livre para se casar com quem quer que escolhesse.

Balança

Utensílio de grande significado em inúmeras religiões, representa-se como símbolo da justiça, ultrapassando o terreno humano e influenciando o além: o peso das boas e más acções praticadas na terra determina, no julgamento final, o local onde as almas descansarão em paz ou sofrerão o castigo. Do Egipto, passando pelos persas e pelos tibetanos, entre outros, até ao cristianismo, a balança é o aferidor dos comportamentos, sendo o seu nome dado a um signo zodiacal caracterizado pela ponderação e pela harmonia.

Em tempos idos, a maneira de se saber se uma mulher estava possuída pelo demónio, era colocá-la no prato de uma balança e no outro uma Bíblia [em alguns sítios era uma pena]: se o fiel da balança se inclinava para a mulher estava decidido: era bruxa [AAAiiiiii!!!!!!!!!!!!!!] e seria queimada (alguma dessas pobres mulheres pesaria menos do que a Bíblia?!) [Esta Bruxa não, com toda a certeza! A esta hora estaria churrascada numa fogueira no largo de uma aldeia qualquer. Vou já fazer dieta!]. Também na medicina popular se costuma pôr o inferno no prato de uma balança e no outro o seu peso em grãos de trigo - se o fiel tombava para o lado dos grãos ficava-se curado (que economia para os serviços de saúde!). Uma crença ainda hoje comum: para se pesar menos deve suspender-se a respiração quando se é pesado, o que, obviamente, é falso.

Orlando Neves, Dicionário de Superstições, 2005. [Comentários da yours truly]

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Cartografia teatral...

Gente, aprendizes, nobres futuros agentes da actividade teatral e conexas, emprestai-me os vossos olhos,
venho propor-vos mais uma aventura, não uma uma leitura (desta vez só!).
Disseram-vos que o mundo é muitas vezes ingrato com o teatro (o que é verdade!) e ignora os actores (depende!)... [E agora, quem identifica este início? Ãnh?]
Mas as coisas nem sempre se passam assim. Por isso, a Bruxa vem lançar mais um desafio a todos vós:
andem de olhos abertos e com atenção e mandem-me as referências a actores que encontrarem por aí - nomes de ruas, largos e praças, de teatros e coisas afins. Digam o nome e localizem. Aqueles que vêm de outras paragens, façam o favor de olhar para as vossas terras. Se arranjarem uma fotografia, óptimo. Se souberem identificar a/o nomeada/o tanto melhor!
Portugal deu novos mundos ao mundo e desenhou-o em portulanos (vão ver ao dicionário!) lindíssimos. 'bora lá fazer o mapa dos actores em Portugal (e Roménia, se quiser, mas vai ter de explicar tudo bem direitinho, claro!)
No final, a Bruxa promete um prémio às três melhores colaborações e uma lembrança a todos os participantes.
P.S. - Se tiverem fotografias, mandem-mas (com hífen, estão a ver?) para a Barca de Caronte e eu publico-as no Inferno. Eheheheheh!