
A celebração a que hoje damos o nome de
Carnaval tem origem em
tempos pré-tudo o que vocês possam imaginar: quando os homens começaram a depender da agricultura e a verificar o carácter cíclico das estações, começaram também a pedir ajuda às forças da Natureza. E há-de ter sido por essa altura que começou o que se veio a definir como uma espécie de negócio na tentativa de estabelecer um tratado de não-agressão entre a Natureza, a Terra e o Homem.

Por isso, depois de agradecidas as colheitas lá para os idos de Novembro e prestes a precisar que a Terra irrompesse de novo em fruto na Primavera, os homens terão organizado festejos em que, por um lado, tentavam enganar o cansaço e a fome no final de um Inverno já longo, ao mesmo tempo que pediam à terra que, uma vez descansada, se dispusesse de novo a produzir o necessário alimento.
Enfim... voltas e reviravoltas mais tarde, encontramos os gregos a celebrar as Grandes Dionisíacas,

os romanos as Saturnálias em Março

, os hindús a Holi em Fevereiro-Março, entre outros povos e celebrações, tudo festas relacionadas com a fecundidade.
Quando a Igreja cristã tomou conta do mundo ocidental e quis cristianizar o calendário (voltaremos ao calendário lá mais para a frente!), tentou atribuir significados relativos à vida de Jesus e celebração da fé cristã às várias festas que se distribuíam pelo ano todo e que, na maior parte dos casos, vinham já das religiões primitivas, ligadas ao culto da Natureza. Tentou, tentou, deu voltas e mais voltas... e conseguiu mudar quase tudo excepto... excepto esta festa desgarrada no meio do Inverno. Assim, seguindo o ditado popular que diz “se não podes vencê-lo, junta-te a ele”, decidiu que iria permitir dois ou três dias de festa desbragada antes dos rigores da Quaresma, que tudo lavaria das almas pecadoras antes de chegado o momento alto do calendário cristão: a Páscoa.
Era a única altura do ano em que a máscara

– invenção e artifício do demónio – era permitida, precisamente para permitir aos foliões escaparem ao castigo que as suas acções poderia acarretar. Era também a altura em que a hierarquia se invertia e senhores viravam servos, e servos senhores.
A verdade é que o Carnaval se manteve e desenvolveu e hoje, a par com celebrações mais antigas e ainda ligadas a essas primeiras festas, se transformou numa imensa festa de cor, alegria e... muita música.

Apesar de estar ainda muito frio na Europa e de, muitas vezes, chover nesses dias, a verdade é que há muita gente que não se furta a saltar para a rua em... pouca roupa, se for caso disso, e dançar durante os três dias do Carnaval.
Nos próximos dias, a Bruxa levá-los-á a conhecer alguns carnavais portugueses menos conhecidos.