quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Para terminar

... este breve passeio pelos carnavais portugueses, a Bruxa aproveita para vos dizer que estes de que vos falou não são os únicos. Há mais. Podem encontrar essa informação aqui e ler sobre outros tipos de festas. Podem ficar a conhecer a "Dança Grande " de Cabanas de Viriato, "O Pai Velho" do Lindoso ou "A dança do Cu" de Ílhavo
mas todos muito, muito coloridos e animados.

Resta-me dizer-vos que, em Maio do ano passado, as máscaras de todo o país vieram fazer uma visita a Lisboa e desfilaram no Chiado no que foi a II Mostra da Máscara Ibérica.

A Bruxa não soube e não viu. Mas ficou cheia de pena porque as fotografias são animadíssimas. Vamos esperar pelo III encontro...

A Bruxa espera que se tenham divertido nestes três dias de Carnaval e deseja a todos os aprendizes... um bom regresso ao trabalho! Eheheheheheh...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Lazarim

O que distingue as máscaras de Lazarim é o facto de serem feitas de madeira. De resto, as celebrações são equivalentes às das outras terras desta zona. Em Lazarim lêem-se testamentos e queimam-se compadres e comadres durante as festas. Podem encontrar mais pormenores aqui.


"Não é em vão que se olham estas máscaras em dia de Carnaval, e, Lazarim, mesmo se as quisermos despojar desse significado escatológico (vão ao dicionário!) que possuiriam em tempos antigos e perdidos.

A máscara de madeira de amieiro do ribeiro vizinho não é, na sua primeira intenção, uma obra de arte. Nem é um disfarce. Ela não serve para esconder a identidade de quem a ostenta. Ela assume antes uma enorme capacidade de revelar. E deste modo adquire uma capacidade pedagógica de extraordinária eficácia, procurando gerar no seio da comunidade o equilíbrio necessário à sua sobrevivência." (1)

Há que acrescentar que estas festas com caretos acontecem em duas alturas do ano: no Natal e no Entrudo, que é outro nome para Carnaval para aqueles que não saibam...


(1) Alberto CORREIA, Máscaras de Lazarim, 1994

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Podence


Podence é outra terra de Trás-os-Montes, no concelho de Macedo de Cavaleiros que também tem uma festa dos rapazes no Carnaval. Nestes dias os rapazes solteiros são reis e usam fatos feitos a partir de mantas antigas cobertas de franjas tricolores – vermelho, verde e amarelo – e têm a cara tapada por uma máscara de lata. Ora leiam lá a história do actual responsável pelos fatos dos (também) caretos de Podence:
João Paulo Alves é um homem na casa dos trinta a quem os rapazes de Podence recorrem anualmente para que lhes execute os seus fatos. Começou por observar o seu tio Albano, a fazer uma tira interminável de franjas, e quando a idade lhe deu o estatuto de careto, afoitou-se a fazer a sua. Saiu-se bem e considera que tem jeito e habilidade para desempenhar a tarefa convenientemente, continuando a usar as cores que sempre se usaram e a fazer os fatos para novos caretos. João Paulo alega que “eles não sabem por que ponta lhes hão-de pegar. Têm de ser pessoas de uma certa cultura para fazer”, diz ele, garantindo que o tio é o autor da maioria dos fatos que ainda circulam pela aldeia e que hoje, com mais de 80 anos, ainda continua a fazer.
João Paulo faz este trabalho de boa vontade, sem cobrar qualquer quantia por isso: “Eu digo-lhe assim: tens de trazer tantas meadas de lã, e uma manta e meia das colchas antigas, feitas nos teatres. Agora essas colchas já são difíceis de arranjar e ficam um bocado caras, por isso os rapazes já as compram aí nas feiras.” Os rapazes compram 14 a 16 meadas e trazem-lhas, dando-lhe a primazia da autoria do fato. (1)


Em 2005, os caretos de Podence apareceram num local inesperado: os Maria Folia participaram no Festival da Canção vestidos de caretos. Aqui estão eles...



(1) Teresa PERDIGÃO, Nuno CALVET, Tesouros do Artesanato Português, 2001

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Carnaval em Ousilhão - Vinhais

Ora bem… o prometido é devido! Cá vem então a Bruxa falar de alguns carnavais menos conhecidos dos aprendizes da escola ali para os lados da Amoreira. Longe dos calores tropicais que, vindos do Brasil, parecem reinar sobre as festas de Entrudo que acontecem um pouco por esse país fora, algumas há que mantêm a sua ligação aos rigores do frio invernal. Não será surpreendente que vos diga que, na sua maior parte, esses carnavais friorentos acontecem lá para os lados de Trás-os-Montes. Pois é, imunes às influências estrangeiras, as gentes do Nordeste português continuam a pensar que “para trás do Marão, mandam os que cá estão” e celebram o Carnaval à sua maneira.
Vamos começar pelo Carnaval de Ousilhão, no concelho de Vinhais. Nestes dias, os rapazes usam uns fatos predominantemente vermelhos, feitos de mantas enfeitadas com franjas. Trazem a cara escondida atrás de máscaras de madeira ou de metal. À cintura trazem barulhentos chocalhos que, na sua origem, pretendiam afastar os espíritos malignos, a doença e a má-sorte. Na rua, perseguem as raparigas e, apesar de alguns excessos, ninguém lhes recusa a entrada e toda a gente lhes oferece de comer... e de beber. O resultado vocês imaginam!
Mas os caretos – assim se chamam as máscaras – são portadores de protecção o que lhes garante toda a boa vontade das gentes da terra.
Na quarta-feira de Cinzas, os fatos mudam e os rapazes vestem-se de vermelho, com uns fatos mais simples, para se parecerem mais com diabos... Acompanhados pela figura da Morte percorrem as ruas da aldeia. Quando encontra alguém, a Morte obriga essa pessoa a prestar-lhe vassalagem.
Em 2005 o TEC levou à cena a peça de Natália Correia, Auto do Solstício de Inverno e os caretos de Vinhais vieram para o palco... e para a estreia, que foi bem animada!

Viva Roma!

Já que estamos em tempo de evocar romanos, aqui fica uma sugestão para esta tarde de domingo chuvosa e fria. Divirtam-se!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Outros carnavais...

A celebração a que hoje damos o nome de Carnaval tem origem em tempos pré-tudo o que vocês possam imaginar: quando os homens começaram a depender da agricultura e a verificar o carácter cíclico das estações, começaram também a pedir ajuda às forças da Natureza. E há-de ter sido por essa altura que começou o que se veio a definir como uma espécie de negócio na tentativa de estabelecer um tratado de não-agressão entre a Natureza, a Terra e o Homem. Por isso, depois de agradecidas as colheitas lá para os idos de Novembro e prestes a precisar que a Terra irrompesse de novo em fruto na Primavera, os homens terão organizado festejos em que, por um lado, tentavam enganar o cansaço e a fome no final de um Inverno já longo, ao mesmo tempo que pediam à terra que, uma vez descansada, se dispusesse de novo a produzir o necessário alimento.
Enfim... voltas e reviravoltas mais tarde, encontramos os gregos a celebrar as Grandes Dionisíacas, os romanos as Saturnálias em Março , os hindús a Holi em Fevereiro-Março, entre outros povos e celebrações, tudo festas relacionadas com a fecundidade.
Quando a Igreja cristã tomou conta do mundo ocidental e quis cristianizar o calendário (voltaremos ao calendário lá mais para a frente!), tentou atribuir significados relativos à vida de Jesus e celebração da fé cristã às várias festas que se distribuíam pelo ano todo e que, na maior parte dos casos, vinham já das religiões primitivas, ligadas ao culto da Natureza. Tentou, tentou, deu voltas e mais voltas... e conseguiu mudar quase tudo excepto... excepto esta festa desgarrada no meio do Inverno. Assim, seguindo o ditado popular que diz “se não podes vencê-lo, junta-te a ele”, decidiu que iria permitir dois ou três dias de festa desbragada antes dos rigores da Quaresma, que tudo lavaria das almas pecadoras antes de chegado o momento alto do calendário cristão: a Páscoa.
Era a única altura do ano em que a máscara – invenção e artifício do demónio – era permitida, precisamente para permitir aos foliões escaparem ao castigo que as suas acções poderia acarretar. Era também a altura em que a hierarquia se invertia e senhores viravam servos, e servos senhores.
A verdade é que o Carnaval se manteve e desenvolveu e hoje, a par com celebrações mais antigas e ainda ligadas a essas primeiras festas, se transformou numa imensa festa de cor, alegria e... muita música. Apesar de estar ainda muito frio na Europa e de, muitas vezes, chover nesses dias, a verdade é que há muita gente que não se furta a saltar para a rua em... pouca roupa, se for caso disso, e dançar durante os três dias do Carnaval.
Nos próximos dias, a Bruxa levá-los-á a conhecer alguns carnavais portugueses menos conhecidos.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O Inferno está no Google...

Gente! Uma notícia...

Mercê dos vossos cliques e visitas, o nosso Inferno já aparece nas buscas do Google. Estamos a crescer, aprendizes!
A Bruxa aproveita para anunciar que, dentro de muito pouco tempo, será lançado o GRANDIOSO CONCURSO DE PROVÉRBIOS DEMONÍACOS, destinado a todos quantos queiram participar. No fim, tal como aconteceu na edição anterior, a distribuição de prémios aos melhores esforços será compensadora e muito, muito entusiasmante...
Não, lamento, NÃO é uma viagem às Seychelles. A Bruxa é modesta e não vai mandar ninguém de avião (de avião, imaginem só! Já não se fazem vassouras como antigamente...) para o outro lado do mundo.